“Sinal de amadurecimento do notariado paulista, que passa a refletir a diversidade em seus espaços de liderança”; presidente da CNB-SP fala ao IASP sobre nova gestão

Ana Paula Frontini, conselheira do IASP, tomou posse como a primeira mulher na presidência do CNB-SP em 75 anos de história; compromisso é ampliar a presença feminina nos espaços de decisão e consolidar a digitalização dos serviços notariais no estado
Ana Paula Frontini, conselheira do Instituto dos Advogados de São Paulo (IASP) e presidente da Comissão de Direito Notarial e Registral, assumiu como presidente do Colégio Notarial do Brasil – Seção São Paulo (CNB-SP) para o biênio de 2026/2028, na condição de primeira mulher na presidência da instituição, e afirma que não será apenas ela na liderança.
“Mais do que uma conquista individual, vejo esse momento como um sinal de amadurecimento do notariado paulista, que passa a refletir, também em seus espaços de liderança, a diversidade e a capacidade técnica das profissionais que integram a atividade”, declarou.
Tabeliã com 21 anos de experiência, Ana Paula assume o cargo em um momento marcado pelo avanço tecnológico pós-eclosão das inteligências artificiais, com o desafio de implementar inovações nas atividades e ampliar a diversidade no corpo do Colégio.

A falta de representação feminina no Direito Notarial e Registral será um tópico essencial da nova direção. Para Ana Paula, a participação em espaços de liderança não deve ser vista como exceção, mas como consequência natural da competência, da dedicação e da trajetória profissional.
“Ocupar esses espaços não é apenas uma conquista individual — é também uma forma de abrir caminhos, fortalecer referências e contribuir para que as próximas gerações encontrem um ambiente mais plural e mais justo”, defendeu a presidente.
Segundo ela, é fundamental compreender que a presença feminina contribui diretamente para o aprimoramento das instituições. “Ampliar espaços de fala e de liderança feminina não é apenas uma questão de representatividade, mas de qualificação do debate jurídico. Instituições que incorporam diversidade em seus quadros decisórios tendem a produzir respostas mais completas, equilibradas e conectadas com a realidade social”, concluiu Ana Paula.

Com 75 anos de história e 800 Cartórios de Notas do Estado, o CNB-SP é responsável por quase um quarto dos atos praticados no país e líder na digitalização dos serviços notariais. A nova presidente apontou que sua equipe terá como foco essa transformação a partir da “consolidação e a expansão de projetos estruturantes, além do fortalecimento institucional do notariado em um ambiente regulatório cada vez mais dinâmico”.
O início deste ciclo de trabalho coincide com um contexto de consolidação de ativos e documentos digitais, além de manifestações de vontade online que passam a exigir formalização jurídica. Isso traz para o centro do debate temas ainda carentes de regulamentação, como a herança digital, impactando diretamente o cotidiano do cidadão, seja na validação de contratos e procurações eletrônicas ou na sucessão de conteúdos e contas armazenados em redes e plataformas.
Entre outras ações da nova gestão, destaques para: a ampliação da atuação do notariado em novas frentes, como meios adequados de solução de conflitos e operações econômicas estruturadas; o fortalecimento da produção acadêmica e da capacitação técnica; e a intensificação do diálogo institucional com os Poderes e com a sociedade.
Sobre a importância do IASP em sua carreira, Ana Paula sublinhou a convivência no Instituto com advogados, membros do Ministério Público, da Magistratura e da Academia como um diferencial em sua trajetória. “Participar do Instituto significa pertencimento, inspiração e esperança. Fazer parte do IASP contribuiu significativamente para a ampliação da minha visão institucional e para o aprofundamento técnico em temas sensíveis ao Direito”, afirmou.