Em evento no IASP, ministro Luís Roberto Barroso faz defesa enfática da magistratura brasileira

Durante seminário sobre soberania digital, Barroso exaltou a atuação dos 19 mil juízes brasileiros e criticou a concentração de holofotes em casos isolados

O ministro Luís Roberto Barroso, que presidiu o Supremo Tribunal Federal (STF), fez uma defesa firme da magistratura e de sua importância para o Estado de Direito durante o seminário “Soberania Digital, Constituição e Democracia: os desafios da proteção de dados, da inteligência artificial e do poder das plataformas”, realizado nesta quinta-feira (24/09) no Instituto dos Advogados de São Paulo (IASP).

O encontro também contou com a presença da ministra Ellen Gracie Northfleet, ex-presidente do STF; Claudio Pacheco Prates Lamachia, ex-presidente Nacional da OAB; Diogo Leonardo Machado de Melo, presidente do IASP; ​Mauro Eduardo Vichnevetsky Aspis, presidente da Comissão de Proteção de Dados; e Daniel Abrix, diretor jurídico do Google.

Em sua manifestação, o ministro destacou a dedicação dos cerca de 19 mil juízes brasileiros que atuam no país, ressaltando o empenho diário da categoria na distribuição da justiça em um cenário complexo.

Barroso observou que, em meio ao fluxo constante de decisões bem fundamentadas proferidas pela Justiça brasileira, a cobertura midiática e a atenção pública tendem a se concentrar em episódios pontuais de exceção, o que pode gerar uma percepção equivocada sobre o funcionamento do Poder Judiciário.

“O problema do Judiciário é que as milhares de decisões diárias, bem fundamentadas, não são notícia. Quando acontece um acidente, aí vira notícia.  Dessa forma, passa-se a impressão equivocada de que o Judiciário é um lugar onde acontecem muitas coisas erradas”, disse.

O ministro ainda reforçou que o juiz brasileiro, em geral, é vocacionado, empenhado e merece ter seu trabalho reconhecido pela sociedade. “O Judiciário é composto por seres humanos; podem acontecer coisas erradas, mas, na generalidade, com juízes sérios e competentes, fazem um imenso bem ao país e não cabem em uma generalização negativa”, afirmou.

Ao concluir sua reflexão, Barroso pontuou a importância de resgatar o reconhecimento institucional em um ambiente frequentemente dominado pelo noticiário negativo. “Nesse mundo em que todos parecem hipnotizados pelo negativo, eu queria reiterar meu apoio e admiração para a magistratura, que, longe dos holofotes, cumpre bem o seu papel de distribuir justiça e de fazer um país melhor”.

Em complemento à fala do ex-ministro, Claudio Pacheco Prates Lamachia, ex-presidente nacional da OAB, enfatizou a necessidade de dissociar as instâncias: “A crise, hoje, não é do Judiciário brasileiro, é do STF. O país conta com mais de 19 mil juízes e 1,5 milhão de advogados que fazem a Justiça funcionar diariamente. Essa distinção precisa ser feita”.

Confira o trecho completo do ministro Barroso em defesa da magistratura.

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